Quem ganha quanto no Brasil
Rendimento médio de quem trabalha, por tipo de vínculo (servidor, carteira assinada, conta própria, empregador), em cada estado; e como a renda se divide: quanto fica com a metade mais pobre, com os 10% mais ricos e com o 1% do topo. Tudo da PNAD Contínua do IBGE, a pesquisa domiciliar que mede isso oficialmente.
Rendimento médio mensal por tipo de vínculo (2025)
Fonte: IBGE, PNAD Contínua, tabela 4659 (rendimento médio mensal real habitualmente recebido no trabalho principal, pessoas de 14 anos ou mais). "Com CNPJ" inclui MEI.
Como evoluiu desde 2012 (em reais de 2025)
Valores já corrigidos pela inflação pelo IBGE (preços médios de 2025). 2020 e 2021 têm quebra na coleta (pandemia).
Por estado: público × privado, renda por pessoa e desigualdade (2025)
| Estado | Setor público | Privado c/ carteira | Público ÷ privado | Conta própria | Renda por pessoa | Ginii | 10% mais ricos têm | 1% mais rico tem |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Distrito Federal | R$ 12.072 | R$ 3.647 | 3,31× | R$ 4.185 | R$ 4.401 | 0,570 | 42,3% | 9,8% |
| Roraima | R$ 5.731 | R$ 2.295 | 2,50× | R$ 2.056 | R$ 1.870 | 0,506 | 38,4% | 9,3% |
| Rondônia | R$ 6.332 | R$ 2.602 | 2,43× | R$ 3.030 | R$ 1.970 | 0,458 | 35,6% | 9,2% |
| Amapá | R$ 5.215 | R$ 2.253 | 2,31× | R$ 1.964 | R$ 1.675 | 0,496 | 37,8% | 7,9% |
| Rio Grande do Norte | R$ 5.498 | R$ 2.436 | 2,26× | R$ 1.828 | R$ 1.779 | 0,540 | 44,4% | 11,6% |
| Acre | R$ 4.824 | R$ 2.175 | 2,22× | R$ 2.176 | R$ 1.372 | 0,509 | 39,1% | 9,8% |
| Paraíba | R$ 4.400 | R$ 2.179 | 2,02× | R$ 1.730 | R$ 1.542 | 0,507 | 40,9% | 10,9% |
| Sergipe | R$ 5.097 | R$ 2.598 | 1,96× | R$ 1.830 | R$ 1.688 | 0,532 | 42,6% | 11,3% |
| Rio Grande do Sul | R$ 6.078 | R$ 3.143 | 1,93× | R$ 3.545 | R$ 2.772 | 0,468 | 36,8% | 9,4% |
| Paraná | R$ 6.217 | R$ 3.273 | 1,90× | R$ 3.808 | R$ 2.687 | 0,470 | 36,7% | 9,3% |
| Ceará | R$ 4.145 | R$ 2.218 | 1,87× | R$ 1.720 | R$ 1.379 | 0,506 | 40,9% | 12,7% |
| Piauí | R$ 4.190 | R$ 2.245 | 1,87× | R$ 1.506 | R$ 1.534 | 0,508 | 41,5% | 13,1% |
| Rio de Janeiro | R$ 6.630 | R$ 3.557 | 1,86× | R$ 3.111 | R$ 2.732 | 0,543 | 43,6% | 11,6% |
| Pernambuco | R$ 4.665 | R$ 2.512 | 1,86× | R$ 1.842 | R$ 1.568 | 0,520 | 40,7% | 10,0% |
| Espírito Santo | R$ 5.265 | R$ 2.884 | 1,83× | R$ 3.241 | R$ 2.209 | 0,480 | 38,1% | 10,2% |
| Goiás | R$ 5.238 | R$ 2.884 | 1,82× | R$ 3.324 | R$ 2.378 | 0,479 | 38,5% | 10,9% |
| Alagoas | R$ 3.809 | R$ 2.130 | 1,79× | R$ 1.763 | R$ 1.401 | 0,512 | 41,7% | 12,3% |
| Santa Catarina | R$ 5.936 | R$ 3.339 | 1,78× | R$ 4.135 | R$ 2.752 | 0,425 | 33,3% | 7,9% |
| Mato Grosso do Sul | R$ 5.353 | R$ 3.053 | 1,75× | R$ 3.318 | R$ 2.369 | 0,457 | 36,3% | 8,2% |
| Amazonas | R$ 4.624 | R$ 2.663 | 1,74× | R$ 1.542 | R$ 1.450 | 0,488 | 38,7% | 9,5% |
| Pará | R$ 4.392 | R$ 2.535 | 1,73× | R$ 1.677 | R$ 1.435 | 0,492 | 39,8% | 11,6% |
| Mato Grosso | R$ 5.367 | R$ 3.131 | 1,71× | R$ 3.367 | R$ 2.297 | 0,439 | 34,6% | 8,4% |
| Tocantins | R$ 4.281 | R$ 2.676 | 1,60× | R$ 2.463 | R$ 1.979 | 0,472 | 37,2% | 10,9% |
| Bahia | R$ 3.728 | R$ 2.399 | 1,55× | R$ 1.790 | R$ 1.452 | 0,466 | 36,4% | 8,6% |
| Minas Gerais | R$ 4.550 | R$ 2.943 | 1,55× | R$ 3.077 | R$ 2.289 | 0,473 | 37,9% | 11,2% |
| São Paulo | R$ 5.629 | R$ 3.684 | 1,53× | R$ 4.060 | R$ 2.862 | 0,491 | 39,0% | 10,9% |
| Maranhão | R$ 3.266 | R$ 2.520 | 1,30× | R$ 1.484 | R$ 1.231 | 0,491 | 38,8% | 10,7% |
Fonte: IBGE, PNAD Contínua, tabelas 4659 (rendimento por posição), 7533 (renda domiciliar por pessoa), 7435 (Gini) e 7527 (parcela da renda por classe). Clique no cabeçalho para ordenar.
Como a renda se divide: dos 10% mais pobres ao 1% mais rico (2025)
Atenção: daqui para baixo a medida muda. Até aqui, o rendimento de quem trabalha. Daqui em diante, a renda detodas as fontes do domicílio (salários, aposentadorias, aluguéis, programas sociais) dividida pelo número de moradores — é assim que o IBGE mede desigualdade, porque é o que sobra para cada pessoa da casa, trabalhe ela ou não.
Imagine os brasileiros em fila, do que tem menos renda para o que tem mais, divididos em dez grupos do mesmo tamanho. A tabela mostra, para cada grupo, de quanto a quanto vai a renda por morador, quanto cada um recebe em média e que pedaço de toda a renda do país fica com ele.
| Grupo, do mais pobre ao mais rico | Fatia do país | Renda por morador | Média do grupo | Fica com | |
|---|---|---|---|---|---|
| Os 10% mais pobres | 10% | até R$ 451 | R$ 268 | 1,2% | |
| 2º grupo | 10% | R$ 451 a R$ 694 | R$ 568 | 2,5% | |
| 3º grupo | 10% | R$ 694 a R$ 906 | R$ 791 | 3,5% | |
| 4º grupo | 10% | R$ 906 a R$ 1.154 | R$ 1.027 | 4,5% | |
| 5º grupo | 10% | R$ 1.154 a R$ 1.490 | R$ 1.311 | 5,8% | |
| 6º grupo | 10% | R$ 1.490 a R$ 1.697 | R$ 1.560 | 6,9% | |
| 7º grupo | 10% | R$ 1.697 a R$ 2.158 | R$ 1.913 | 8,5% | |
| 8º grupo | 10% | R$ 2.158 a R$ 2.958 | R$ 2.494 | 11,0% | |
| 9º grupo | 10% | R$ 2.958 a R$ 4.609 | R$ 3.590 | 15,9% | |
| Os 10% mais ricos | 10% | acima de R$ 4.609 | R$ 9.117 | 40,3% | |
| Dentro dos 10% mais ricos | |||||
| Entre os 10% e os 5% mais ricos | 5% | R$ 4.609 a R$ 6.900 | R$ 5.519 | 12,2% | |
| Entre os 5% e o 1% mais ricos | 4% | R$ 6.900 a R$ 15.214 | R$ 9.648 | 17,0% | |
| O 1% mais rico | 1% | acima de R$ 15.214 | R$ 24.973 | 11,0% | |
Os dez grupos somam 100% da renda. Os três últimos estão dentro dos 10% mais ricos e por isso não entram na soma; repare que têm tamanhos diferentes (5%, 4% e 1% da população). "Renda por morador" é o intervalo que define o grupo: quem tem mais de R$ 4.609 por morador está entre os 10% mais ricos. Fonte: IBGE, PNAD Contínua, tabelas 7527 (quanto da renda total fica com cada grupo), 7533 (renda média de cada grupo) e 7438 (os limites de cada grupo), tudo a preços médios de 2025. Em termos técnicos, o limite dos 10% mais ricos é o percentil 90i (P90) e o do 1%, o P99.
E entre quem trabalha? O 1% que mais ganha
Aqui a fila é outra: só as pessoas ocupadas, ordenadas pelo que recebem no próprio trabalho (não pela renda da casa).
| Grupo de trabalhadores | Rendimento médio mensal |
|---|---|
| Os 10% que menos ganham | R$ 478 |
| Média de todos os ocupados | R$ 3.560 |
| Os 10% que mais ganham | R$ 14.352 |
| dos quais o 1% que mais ganha | R$ 39.470 |
Fonte: IBGE, PNAD Contínua, tabela 7535 (rendimento de todos os trabalhos das pessoas ocupadas, por classe de percentual dos próprios ocupados), a preços médios de 2025. Como a fila é de trabalhadores e não de domicílios, estes valores não são comparáveis linha a linha com os da tabela acima.
Desigualdade desde 2012: parcela da renda de cada grupo
Fonte: IBGE, PNAD Contínua, tabelas 7527 e 7530. Gini do Brasil: 0,540 em 2012 → 0,511 em 2025.
O que os números dizem
- Em 2025, o rendimento médio no setor público (R$ 5.301) foi 1,67× o do setor privado com carteira (R$ 3.176) e 1,54× a média de todos os ocupados (R$ 3.447). Estatutários e militares: R$ 6.266.
- Quem mais ganha, em média, são empregadores com CNPJ (R$ 9.509); quem menos ganha, trabalhadores domésticos (R$ 1.367) e conta própria sem CNPJ (R$ 2.184).
- O 1% mais rico fica com 11,0% de toda a renda do país e tem, em média, R$ 24.973 por morador do domicílio — 93,18× o que têm os 10% mais pobres (R$ 268), que ficam com 1,2%. Os 10% mais ricos juntos têm 40,3% da renda; a metade mais pobre do país, 17,5%.
- A razão público ÷ privado é maior em Distrito Federal (3,31×) e menor em Maranhão (1,30×). O estado mais desigual pelo Gini é Distrito Federal (0,570); o menos, Santa Catarina (0,425).
Frases calculadas automaticamente a partir dos dados acima; nenhum número é digitado à mão.
O que significam os termos desta página
- Rendimento médio habitual
- Quanto a pessoa diz receber normalmente por mês no trabalho principal, em dinheiro ou produtos, antes de descontos. Média entre quem tem rendimento; a PNAD é uma pesquisa por amostra do IBGE, com margem de erro.
- Setor público (PNAD)
- Empregados de órgãos públicos das três esferas: servidores estatutários, militares e celetistas. Inclui professor da rede municipal e agente de saúde, não só carreiras federais. Comparar a média com o setor privado mistura ocupações e escolaridades diferentes.
- Percentil (P10, P90, P99)
- Imagine todos os brasileiros em fila, do que tem menos renda para o que tem mais. O percentil é a renda de quem está num certo ponto dessa fila: no P10 ficam 10% das pessoas atrás, no P50 metade, no P90 noventa por cento. Por isso 'acima do P90' quer dizer 'entre os 10% mais ricos' e 'acima do P99', 'no 1% mais rico'.
- Renda domiciliar por pessoa
- Soma de todos os rendimentos do domicílio (trabalho, aposentadoria, aluguel, programas sociais) dividida pelo número de moradores. É a medida que o IBGE usa para distribuição e desigualdade.
- Índice de Gini
- Mede desigualdade de 0 (todos com a mesma renda) a 1 (uma pessoa com tudo). Calculado pelo IBGE sobre a renda domiciliar por pessoa.
Definições conforme a Lei 4.320/1964 e o Manual Técnico de Orçamento (SOF). Detalhes na metodologia.