Quanto custa a saúde pública e quem depende dela
O que a União, os governos estaduais e as prefeituras pagaram em saúde, quanto dá por habitante em cada estado, quantos brasileiros têm plano de saúde e quantos contam só com o SUS, e como estão os indicadores que medem o resultado: esperança de vida, mortalidade infantil, neonatal e materna. Cada número com a fonte oficial.
Quem paga a conta da saúde (2025)
Fontes: União — SIOP, execução orçamentária de 2025, função 10 (Saúde), despesa pagai. Estados e prefeituras — SICONFI/Tesouro Nacional, Declaração de Contas Anuais de 2025, anexo I-E, mesma função. "Por habitante" usa a população estimada pelo IBGE (214.211.951), só para dar escala.
Quem tem plano de saúde e quem depende só do SUS (2026)
Fonte: ANS, taxa de cobertura de planos de saúdei (dados abertos, competência 2026), beneficiários de planos de assistência médica, sobre a população estimada pelo IBGE (2026). São vínculos, não pessoas: quem tem dois planos conta duas vezes. Planos exclusivamente odontológicos (37,0 mi de vínculos no país) ficam fora da conta.
Capitais com mais gente coberta por plano
| Capital | População | Com plano | % da população |
|---|---|---|---|
| Vitória ES | 343.935 | 229.649 | 66,8% |
| Curitiba PR | 1.832.183 | 1.002.804 | 54,7% |
| Belo Horizonte MG | 2.415.451 | 1.298.574 | 53,8% |
| São Paulo SP | 11.911.337 | 5.974.409 | 50,2% |
| Goiânia GO | 1.511.709 | 753.802 | 49,9% |
| Natal RN | 783.196 | 356.468 | 45,5% |
| Rio de Janeiro RJ | 6.731.133 | 3.043.985 | 45,2% |
| Porto Alegre RS | 1.388.791 | 604.290 | 43,5% |
| Fortaleza CE | 2.582.360 | 1.054.194 | 40,8% |
| Recife PE | 1.588.983 | 639.249 | 40,2% |
| Aracaju SE | 623.328 | 240.431 | 38,6% |
| Florianópolis SC | 598.370 | 207.001 | 34,6% |
| Cuiabá MT | 698.917 | 239.969 | 34,3% |
| Teresina PI | 908.012 | 310.337 | 34,2% |
| Salvador BA | 2.559.945 | 815.262 | 31,8% |
| João Pessoa PB | 906.093 | 279.715 | 30,9% |
| Manaus AM | 2.327.101 | 691.800 | 29,7% |
| Campo Grande MS | 970.843 | 282.797 | 29,1% |
| Belém PA | 1.396.157 | 396.090 | 28,4% |
| Maceió AL | 995.134 | 281.076 | 28,2% |
| São Luís MA | 1.090.229 | 299.711 | 27,5% |
| Palmas TO | 333.154 | 62.420 | 18,7% |
| Porto Velho RO | 520.379 | 91.400 | 17,6% |
| Rio Branco AC | 390.058 | 42.047 | 10,8% |
| Macapá AP | 491.987 | 52.137 | 10,6% |
| Boa Vista RR | 500.965 | 31.725 | 6,3% |
Nas capitais a taxa é bem maior que a do estado porque os planos se concentram nelas — e porque o beneficiário é contado onde mora, mesmo que o plano seja de uma empresa de outra cidade.
Cada estado: dinheiro e resultado
| Estado | Governo estadual | por habitante | Prefeituras | por habitante | Com plano | Vive até | Até 1 ano | Até 5 anos | Neonatal | Materna |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Acre | R$ 2,1 bi | R$ 2.518 | R$ 712 mi | R$ 858 | 5,3% | 76,4 | 12,9 | 21,5 | 9,5 | 55 |
| Alagoas | R$ 2,9 bi | R$ 917 | R$ 4,7 bi | R$ 1.506 | 11,9% | 74,7 | 12,4 | 16,0 | 9,1 | 69 |
| Amapá | R$ 2,3 bi | R$ 2.911 | R$ 809 mi | R$ 1.045 | 7,8% | 76,0 | 21,2 | 26,0 | 12,6 | 93 |
| Amazonas | R$ 5,2 bi | R$ 1.311 | R$ 4,8 bi | R$ 1.211 | 16,2% | 74,0 | 14,2 | 21,4 | 10,3 | 88 |
| Bahia | R$ 14,4 bi | R$ 984 | R$ 17,8 bi | R$ 1.211 | 11,8% | 75,5 | 12,6 | 17,5 | 11,4 | 65 |
| Ceará | R$ 7,0 bi | R$ 787 | R$ 12,7 bi | R$ 1.420 | 16,1% | 75,8 | 10,5 | 13,8 | 8,5 | 46 |
| Distrito Federal | R$ 5,4 bi | R$ 1.847 | — | — | 34,9% | 80,2 | 8,7 | 13,4 | 7,2 | 42 |
| Espírito Santo | R$ 5,4 bi | R$ 1.348 | R$ 4,9 bi | R$ 1.227 | 34,2% | 80,6 | 6,4 | 14,0 | 7,2 | 40 |
| Goiás | R$ 6,1 bi | R$ 873 | R$ 10,5 bi | R$ 1.511 | 26,2% | 75,7 | 11,6 | 14,5 | 8,7 | 52 |
| Maranhão | R$ 5,3 bi | R$ 780 | R$ 8,6 bi | R$ 1.263 | 7,6% | 73,2 | 14,3 | 18,2 | 11,0 | 98 |
| Mato Grosso | R$ 4,8 bi | R$ 1.271 | R$ 7,0 bi | R$ 1.862 | 17,6% | 76,4 | 13,5 | 17,4 | 9,8 | 67 |
| Mato Grosso do Sul | R$ 2,4 bi | R$ 836 | R$ 5,6 bi | R$ 1.963 | 22,9% | 77,8 | 10,8 | 16,4 | 6,8 | 62 |
| Minas Gerais | R$ 13,9 bi | R$ 673 | R$ 41,9 bi | R$ 2.019 | 27,5% | 79,4 | 7,4 | 13,6 | 8,3 | 42 |
| Pará | R$ 6,5 bi | R$ 768 | R$ 8,8 bi | R$ 1.046 | 10,2% | 73,8 | 12,8 | 18,3 | 10,3 | 78 |
| Paraíba | R$ 4,0 bi | R$ 989 | R$ 6,2 bi | R$ 1.545 | 11,2% | 75,8 | 11,1 | 15,5 | 10,9 | 56 |
| Paraná | R$ 9,2 bi | R$ 777 | R$ 18,5 bi | R$ 1.567 | 26,9% | 79,7 | 6,4 | 12,7 | 7,1 | 45 |
| Pernambuco | R$ 10,6 bi | R$ 1.166 | R$ 10,0 bi | R$ 1.108 | 15,1% | 76,9 | 10,1 | 15,9 | 8,9 | 61 |
| Piauí | R$ 3,6 bi | R$ 1.094 | R$ 5,2 bi | R$ 1.593 | 12,2% | 72,8 | 14,5 | 17,1 | 10,6 | 59 |
| Rio de Janeiro | R$ 10,2 bi | R$ 614 | R$ 25,3 bi | R$ 1.525 | 32,3% | 78,7 | 8,4 | 16,1 | 8,5 | 73 |
| Rio Grande do Norte | R$ 2,3 bi | R$ 684 | R$ 5,2 bi | R$ 1.572 | 19,6% | 77,5 | 11,2 | 13,4 | 8,4 | 56 |
| Rio Grande do Sul | R$ 10,5 bi | R$ 944 | R$ 17,1 bi | R$ 1.542 | 23,8% | 80,1 | 7,4 | 11,5 | 7,3 | 34 |
| Rondônia | R$ 2,2 bi | R$ 1.380 | R$ 2,5 bi | R$ 1.519 | 9,8% | 73,1 | 16,5 | 15,1 | 9,1 | 50 |
| Roraima | R$ 1,6 bi | R$ 2.594 | R$ 805 mi | R$ 1.268 | 4,3% | 74,2 | 15,5 | 33,2 | 9,6 | 130 |
| Santa Catarina | R$ 8,3 bi | R$ 1.064 | R$ 12,3 bi | R$ 1.585 | 21,0% | 81,6 | 6,8 | 10,7 | 6,8 | 33 |
| São Paulo | R$ 40,0 bi | R$ 869 | R$ 76,8 bi | R$ 1.670 | 40,4% | 80,3 | 7,5 | 13,4 | 7,7 | 43 |
| Sergipe | R$ 3,3 bi | R$ 1.471 | R$ 2,5 bi | R$ 1.149 | 14,7% | 74,9 | 11,2 | 21,8 | 12,1 | 41 |
| Tocantins | R$ 3,8 bi | R$ 2.379 | R$ 2,3 bi | R$ 1.452 | 8,4% | 75,6 | 12,3 | 14,7 | 9,0 | 82 |
Governo estadual e prefeituras: despesa paga na função Saúde em 2025 (SIOP/SICONFI), cada uma dividida pela população do estado.Não somamos as duas: o estado também repassa dinheiro aos fundos municipais de saúde, e esse valor aparece nas duas colunas.Vive até é a esperança de vida em anos; Até 1 ano é a mortalidade infantil. O Distrito Federal não tem municípios: tudo está na coluna do governo distrital, por isso a de prefeituras fica vazia. Ordenado por nome; clique no cabeçalho para ordenar por qualquer coluna. Esperança de vida (anos) e mortalidade infantil (por mil nascidos vivos) são projeção do IBGEi para 2026.Até 5 anosi (2023) e neonatali (2022) vêm por mil nascidos vivos;maternai (2023), por 100 mil nascidos vivos. Fonte dos três: IBGE, indicadores dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a partir do Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde. Clique no cabeçalho para ordenar.
Crianças que morrem antes de completar 5 anos e antes de 1 ano
A série da mortalidade infantil observada foi encerrada pelo IBGE em 2016 (tabela 3834); por isso a linha azul para aí. A de menores de 5 anos (indicador 3.2.1 dos ODS) continua até 2023. A projeção do IBGE estima 9,8 por mil para 2026.
O que os números dizem
- Pelo menos 75,2% da população não tem plano de saúde e depende só do SUS. A cobertura vai de 4,3% em Roraima a 40,4% em São Paulo.
- Em 2025, a União pagou R$ 216,0 bi na função Saúde, os estados R$ 193,0 bi e as prefeituras R$ 313,6 bi. Como o repasse federal reaparece na conta de quem recebeu, os três não se somam.
- Por habitante, o governo estadual gasta de R$ 614 (Rio de Janeiro) a R$ 2.911 (Amapá); as prefeituras, de R$ 858 (Acre) a R$ 2.019 (Minas Gerais). As duas colunas não se somam.
- A esperança de vida projetada para 2026 varia 8,8 anos entre o estado onde se vive mais (Santa Catarina) e onde se vive menos (Piauí).
- De 2000 a 2023, a morte de crianças até 5 anos caiu de 32,1 para 15,1 por mil nascidos vivos. A mortalidade materna (2023) é de 55 por 100 mil nascidos vivos.
Frases calculadas automaticamente a partir dos dados acima.
O que significam os termos desta página
- Cobertura de planos de saúde
- Quantos vínculos de plano de assistência médica existem, dividido pela população. A ANS conta vínculos, não pessoas: quem tem dois planos conta duas vezes, e por isso em algumas cidades a taxa passa de 100%. Quem não aparece aqui depende do SUS — que atende todo mundo, inclusive quem tem plano.
- Valores que se sobrepõem
- Boa parte do que a União paga em saúde é repassada a estados e prefeituras (transferências fundo a fundo do SUS) e aparece de novo na despesa deles. Somar os três níveis contaria o mesmo dinheiro duas vezes, por isso mostramos cada um separado e nunca um total do país.
- Esperança de vida ao nascer
- Quantos anos viveria, em média, uma pessoa nascida hoje se as taxas de morte de cada idade continuassem as de hoje. Não é uma previsão sobre ninguém em particular: é um retrato da mortalidade atual.
- Projeção do IBGE
- Número calculado pelo IBGE na Projeção da População, não medido diretamente no ano. É a única série de esperança de vida e mortalidade infantil por estado que chega ao ano corrente; por isso a usamos, sempre dizendo que é projeção.
- Mortalidade de menores de 5 anos
- De cada mil crianças nascidas vivas, quantas morrem antes de completar 5 anos. Indicador 3.2.1 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, calculado pelo IBGE com os registros de óbito do Ministério da Saúde.
- Mortalidade neonatal
- De cada mil crianças nascidas vivas, quantas morrem nos primeiros 27 dias de vida. É a parte da mortalidade infantil mais ligada ao pré-natal e ao parto.
- Mortalidade materna
- Mortes de mulheres por causas ligadas à gravidez, ao parto ou ao pós-parto, a cada 100 mil crianças nascidas vivas. Indicador 3.1.1 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
- Despesa paga
- Tudo que saiu do caixa no ano, incluindo benefícios e transferências. Não confundir com 'custo da máquina', que é só a parte de manutenção do órgão.
Definições conforme a Lei 4.320/1964 e o Manual Técnico de Orçamento (SOF). Detalhes na metodologia.